Jorge Jesus falou esta sexta-feira em exclusivo à Sport TV. Desde a Arábia Saudita, o agora treinador do Al Hilal, líder isolado do campeonato saudita, assumiu continuar a acompanhar o campeonato português, salientando que será difícil regressar a Portugal nos dois próximos anos, fruto também dos valores que atualmente recebe na formação de Riade.

A jornada 14 da Liga Betclic colocará frente a frente os atuais quatro primeiros classificados, com o Sporting a receber o FC Porto e o Benfica a visitar o Sp. Braga. Questionado sobre por quem irá torcer no domingo e na segunda-feira, Jorge Jesus desejou boa sorte aos três clubes que orientou em Portugal.

As declarações de Jorge Jesus à Sport TV, com perguntas e respostas na íntegra:

Nunca escondeu o sonho de treinar os três grandes em Portugal. Se em março houver eleições e André Villas-Boas for o futuro presidente do FC Porto, ele que foi seu adversário há uns anos, se o Sérgio saísse e ele lhe ligasse, o quê que diria? É um sonho seu treinar o FC Porto até ao final da carreira para cumprir esse pleno?

“Não, neste momento é muito difícil. Como a época está a ser muito boa em termos de resultados desportivos, financeiramente não há hipótese: sou um dos treinadores mais bem pagos do mundo. Portanto, esse regresso a Portugal está fora do contexto. Mas como disse, o futebol muda, mas dentro dos próximos dois anos acho que não vai mudar para mim e vou continuar fora de Portugal.”

Que mensagem gostaria de deixar para os adeptos portugueses?

“Vejo todos os jogos do campeonato português, tenho uma box em casa onde vejo tudo. Estou atento ao futebol português. O futebol português tem qualidade. Fora do futebol continuamos a ter muitas situações que não favorece muito o desenvolvimento e a paixão e o equilíbrio e o bem-estar do futebol português. Às vezes digo isto aos meus jogadores quando estou fora de Portugal: nós somos um país de 10 milhões e temos dos melhores jogadores do mundo, temos equipas que estão todos os anos na Champions, nos ‘quartos’, nos ‘oitavos’, e neste momento o FC Porto tem sido a bandeira de Portugal neste aspeto. Que continuem a pensar à frente. Os nossos dirigentes pensam à frente e isso faz com que o nosso futebol tenha jogadores que as grandes equipas da Europa vão contratar. É assim que sobrevivemos – os clubes. E, portanto, vou sempre dizer que aquilo que eu sou hoje, agradeço às equipas portuguesas e ao futebol português.”

Sporting-FC Porto e Sp. Braga-Benfica: como olha para estes quatro?

“Das quatro equipas que estamos a falar eu já treinei três, só não treinei o FC Porto. O Sp. Braga também está a fazer uma época muito boa. O presidente, António Salvador, é alguém com uma dimensão muito grande, que fez do Sp. Braga uma grande equipa. Está lá entre as três mais fortes de Portugal. O campeonato vai resumir-se aos três. O Sp. Braga vai andar ali, mas penso que ainda não vai conseguir ter aquela projeção e aquele equilíbrio, porque quando tu jogas para ser campeão é uma coisa, quando jogas para fazer uma boa época é outra e as equipas grandes têm vantagem. O Sporting tem uma massa associativa enorme, o FC Porto tem uma massa associativa enorme, o Benfica ainda mais que qualquer um dos dois. Parecendo que não, isso depois tem influência nos jogos, principalmente fora. E neste momento o campeonato está equilibrado, está tudo ali [separado] por pontos. Não direi quem está a jogar melhor ou mais bonito, penso que o FC Porto, dos dois rivais, tem sido a equipa que mais me tem surpreendido. Porquê? Porque o FC Porto vai buscar jogadores ao Paços de Ferreira, ao Estoril, sei lá, ao Moreirense… e continua lá em cima. Na minha opinião, o trabalho do Sérgio tem sido espetacular e só espero que sejam dois bons jogos – eu vou ver, como é óbvio – e a maior sorte para os quatro. Principalmente para os três onde já trabalhei. Nós temos sempre uma saudade. Ficamos sempre a gostar dos clubes onde trabalhámos, como é o caso do Benfica, do Sporting e do Sp. Braga. Desejo-lhes a maior sorte do mundo agora nas competições internacionais porque nós temos de pontuar, temos de ficar nos primeiros 5-6 que é para depois as equipas portugueses poderem entrar diretamente na Champions e não só os campeões.

Jornal Record

Este artigo foi originalmente publicado neste website

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